Ok, finalmente está acontecendo o que eu previ. O campo da anomalia está causando problemas na nave. A iluminação está falhando, a estufa perdeu seu sistema de refrigeração, os computadores do laboratório apagaram e os instrumentos de navegação automática estão falhando, entrarei no piloto manual em minutos. Na verdade, eu sequer sei o motivo pelo qual essa estação da qual escrevo ainda está em perfeita atividade, parece uma brincadeira cruel arquitetada por esse lugar nefasto. Ele não quer me assustar demais para que eu não perca as esperanças e desista da missão, mas também não disfarça suas intenções de me destruir. Eu estou cansado, sozinho, sendo torturado pelos fantasmas que deixei em terra firme e por essa coisa à minha frente.
Enfim, a nave já está sendo arrastada, vou facilitar para ele, se eu vou morrer, vai ser a toda velocidade.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Kaworu
Já faz alguns dias que tenho escutado vozes pela nave, sentido que alguém estava me observando no canto da sala de comunicações cada vez que eu vou escrever uma nota, gravar um vídeo-diário ou mandar algum desses textos para serem repassados para vocês.
Os sensores não acusam nada, as câmeras não registraram nenhuma imagem mas eu sinto que existe algo além de uma simples paranóia. Parece que o simples fato de olhar de perto para a imensidão desse demônio que pulsa e relampeja e me ameaça com sua fúria já basta para me tornar sensível e vulnerável a forças que eu jamais admitiria que existem.
Os sensores não acusam nada, as câmeras não registraram nenhuma imagem mas eu sinto que existe algo além de uma simples paranóia. Parece que o simples fato de olhar de perto para a imensidão desse demônio que pulsa e relampeja e me ameaça com sua fúria já basta para me tornar sensível e vulnerável a forças que eu jamais admitiria que existem.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
O dilema do ouriço
Viagens longas costumam despertar, dentre outras coisas, um certo medo de se desapegar de quem você gosta, de quem sempre esteve ao seu lado e acabamos até revirando o passado, ligando para alguém com quem não tinhamos mais contato e conversando como se nunca tivéssemos nos separado.
Já faz algum tempo que estou conversando sozinho. Às vezes vou para o laboratório, que é o lugar com a acústica mais apropriada, e fico falando em voz alta, ouvindo os ecos das últimas sílabas do que eu acabei de dizer simplesmente imaginando que existe alguém alí comigo.
Gostaria de não ter deixado tantas coisas mal resolvidas, mas agora tudo está no passado, na verdade está no futuro, mas eu prefiro não pensar muito nisso, afinal, ela está na lá embaixo e eu, cada vez mais me aproximo da anomalia.
Já faz algum tempo que estou conversando sozinho. Às vezes vou para o laboratório, que é o lugar com a acústica mais apropriada, e fico falando em voz alta, ouvindo os ecos das últimas sílabas do que eu acabei de dizer simplesmente imaginando que existe alguém alí comigo.
Gostaria de não ter deixado tantas coisas mal resolvidas, mas agora tudo está no passado, na verdade está no futuro, mas eu prefiro não pensar muito nisso, afinal, ela está na lá embaixo e eu, cada vez mais me aproximo da anomalia.
domingo, 3 de janeiro de 2010
O tiro rumo aos céus
Acho que não existe forma melhor ou pior para começar este meu diário virtual, eu apenas preciso escrever meus relatos sobre tudo que tem acontecido comigo, preciso documentar minhas experiências e fazer o possível para que elas cheguem às pessoas certas.
Primeiramente, muito obrigado a todos aqueles que, tão pacientemente, demonstram sua vontade de me ajudar mesmo sem nehuma prova ou pista mais concreta acerca das minhas afirmações. Devo a vocês não apenas explicações, mas também a maior parte da sanidade que me resta. Pois bem, vamos começar pagando as dívidas mais fáceis:
No início do ano de 2010, por toda a extensão da Terra, nas mais diferenciadas localidades, começaram a ser vistos no ceu estranhos fenômenos. Grandes clarões que podiam cegar quem os encarasse diretamente, manchas de cores nunca antes vistas na atmosfera que simplesmente ficavam paradas em um mesmo lugar, "filtrando" e alterando a cor dos raios solares que chegavam a nós, dias que em um instante se tornavam mais negros que a mais sobria das noites e tantos outros tipos que, em um determinado momento, tornou-se praticamente impossível saber se o vídeo de uma espiral girando descontroladamente nos ceus, refletindo luzes das mais variadas cores nos pédios e nas ruas, transformando o centro de Tokio em uma verdadeira rave era real ou apenas um viral oportunista.
Com o passar das semanas e depois diversas confirmações vindas de agências metereológicas em todo o mundo, as Nações Unidas decidiram criar uma comissão emergencial para investigar o problema, não porque a estética dos céus ou as bizarras fotos de adolescentes azulados, amarelados ou cor-de-rosa que se espalhavam pelos sites de relacionamento tivessem alguma importância para a ONU, mas alguns setores essenciais para a economia global começaram a ser afetados por essa estranha "doença de pele" que se espalhava por todo o veludo azul que outrora cobria nosso mundo.
Muito se discutiu, sempre a portas fechadas, claro, sobre a origem dos fenômenos e quais seriam as medidas cabíveis para sanar o problema, mas todos aparentavam estar tão perdidos que tudo aquilo assemelhava-se mais uma absurda corrida de ratos em uma grande roda de plástico.
Era realmente opressora a forma do ceu a essa altura, as manchas aumentaram rapidamente, unindo-se e, em de poucos meses, parecia que todos estávamos no estômago de um animal gigantesco (alguns grupos ficaram tão impressionados com essa imagem que chegaram a criar uma seita que partia desse exato pressuposto)
Então, mostrando que ainda havia alguma forma de vida inteligente a ser salva nesse planeta, um grupo de cientistas começou a organizar um projeto chamado "Missão Cheshire", que pretendia mandar uma nave tripulada em direção ao fenômeno para fins de análise e coleta de amostras.
Isso resume bem a ópera até o momento no qual parti na U.N. Lovecraft rumo ao espaço.
Infelizmente algo saiu muito errado e, nesse exato momento estou concentrando meus esforços em um plano para que a missão não seja um completo fracasso, estou aproveitando o tempo que eu tenho, afinal, nada disso conteceu, não é? Vocês ainda tem um céu azul e nenhuma das pessoas que farão parte dessa história sabe de nada... isso me garante algumas semanas antes da comissão ser formada, mas eu não sei exatamente quanta areia ainda me resta na ampulheta.
Preciso que todos vocês sejam meus olhos atentos aí embaixo.
S.M.
Primeiramente, muito obrigado a todos aqueles que, tão pacientemente, demonstram sua vontade de me ajudar mesmo sem nehuma prova ou pista mais concreta acerca das minhas afirmações. Devo a vocês não apenas explicações, mas também a maior parte da sanidade que me resta. Pois bem, vamos começar pagando as dívidas mais fáceis:
No início do ano de 2010, por toda a extensão da Terra, nas mais diferenciadas localidades, começaram a ser vistos no ceu estranhos fenômenos. Grandes clarões que podiam cegar quem os encarasse diretamente, manchas de cores nunca antes vistas na atmosfera que simplesmente ficavam paradas em um mesmo lugar, "filtrando" e alterando a cor dos raios solares que chegavam a nós, dias que em um instante se tornavam mais negros que a mais sobria das noites e tantos outros tipos que, em um determinado momento, tornou-se praticamente impossível saber se o vídeo de uma espiral girando descontroladamente nos ceus, refletindo luzes das mais variadas cores nos pédios e nas ruas, transformando o centro de Tokio em uma verdadeira rave era real ou apenas um viral oportunista.
Com o passar das semanas e depois diversas confirmações vindas de agências metereológicas em todo o mundo, as Nações Unidas decidiram criar uma comissão emergencial para investigar o problema, não porque a estética dos céus ou as bizarras fotos de adolescentes azulados, amarelados ou cor-de-rosa que se espalhavam pelos sites de relacionamento tivessem alguma importância para a ONU, mas alguns setores essenciais para a economia global começaram a ser afetados por essa estranha "doença de pele" que se espalhava por todo o veludo azul que outrora cobria nosso mundo.
Muito se discutiu, sempre a portas fechadas, claro, sobre a origem dos fenômenos e quais seriam as medidas cabíveis para sanar o problema, mas todos aparentavam estar tão perdidos que tudo aquilo assemelhava-se mais uma absurda corrida de ratos em uma grande roda de plástico.
Era realmente opressora a forma do ceu a essa altura, as manchas aumentaram rapidamente, unindo-se e, em de poucos meses, parecia que todos estávamos no estômago de um animal gigantesco (alguns grupos ficaram tão impressionados com essa imagem que chegaram a criar uma seita que partia desse exato pressuposto)
Então, mostrando que ainda havia alguma forma de vida inteligente a ser salva nesse planeta, um grupo de cientistas começou a organizar um projeto chamado "Missão Cheshire", que pretendia mandar uma nave tripulada em direção ao fenômeno para fins de análise e coleta de amostras.
Isso resume bem a ópera até o momento no qual parti na U.N. Lovecraft rumo ao espaço.
Infelizmente algo saiu muito errado e, nesse exato momento estou concentrando meus esforços em um plano para que a missão não seja um completo fracasso, estou aproveitando o tempo que eu tenho, afinal, nada disso conteceu, não é? Vocês ainda tem um céu azul e nenhuma das pessoas que farão parte dessa história sabe de nada... isso me garante algumas semanas antes da comissão ser formada, mas eu não sei exatamente quanta areia ainda me resta na ampulheta.
Preciso que todos vocês sejam meus olhos atentos aí embaixo.
S.M.
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20/05/2010,
a cor que caiu do ceu,
Lovecraft
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